No dia 3 de maio de 2024, as águas do Lago Guaíba já tinham engolido a pista de skate e as quadras do Parque da Orla em Porto Alegre (RS) – Crédito: Roberto Villar Belmonte
Pouco caso com mudança do clima e governança ambiental débil turbinaram a maior catástrofe hídrica da história do Rio Grande do Sul.
Por Roberto Villar Belmonte
– Tu estás bem, já teve que sair de casa? – perguntou a professora Sandra Henriques em áudio que recebi no WhatsApp no domingo, 5 de maio, às 10h30. Ela tinha trabalhado até tarde nos ajustes de um aplicativo que estava desenvolvendo com outros colegas do Centro Universitário Ritter dos Reis para auxiliar no resgate de pessoas ilhadas na zona norte da capital e em municípios da região metropolitana. Estávamos nos primeiros dias da maior catástrofe hídrica da história do Rio Grande do Sul.
A governança ambiental estadual, cuja prioridade tem sido viabilizar sem burocracia licenças para empreendimentos, não estava preparada para lidar com o que aconteceu. Meio ambiente é visto historicamente como entrave ao desenvolvimento e, por isso, mudança do clima nunca foi prioridade de fato. Para piorar a situação, o sistema formado por diques e casas de bomba que protege Porto Alegre falhou. Por várias gestões fala-se em plano de mitigação e adaptação na cidade, sem avanços significativos.
As faculdades de jornalismo devem capacitar os jornalistas para que sejam capazes de abordar os temas ambientais além do senso comum e de maneira transversal, em qualquer editoria, não apenas nas seções de meio ambiente. A opinião é do presidente da Federação de Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc), Celso Augusto Schröder, 60 anos, que também é vice-presidente da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês) e presidente reeleito da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Por Roberto Villar Belmonte
Nesta entrevista exclusiva concedida em Lima, capital do Peru, na sexta-feira passada (27/09/13), Celso Schröder, que reside em Porto Alegre (RS), onde leciona jornalismo há 25 anos, na Famecos/PUCRS, fala também sobre a crise no jornalismo, que para ele é artificial. “O tempo do jornalismo não é e nem pode ser o mesmo tempo das redes sociais”, explica. Schröder trata ainda da volta da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão no Brasil e defende a importância de um marco regulatório para as comunicações.
Seguindo o posicionamento da Fenaj, que no ano passado realizou um congresso nacional sobre a temática ambiental, a Fepalc promoveu em Lima, nos dias 26 e 27 de setembro, o seminário Crisis Ambiental: Los Desafíos del Cambio Climático para los Periodistas y sus Sindicatos, com patrocínio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, ligada a social democracia alemã, com apoio da IFJ e da Associación Nacional de Periodistas del Perú (ANP). Em 2014, Lima será sede de mais uma Cúpula do Clima (COP 20).
Celso Schröder encerra seminário em Lima sobre mudança do clima que reuniu dirigentes sindicais e jornalistas do Peru, Chile, Colombia, Panamá, Costa Rica, Brasil e República Dominicana
Blog do Villar: Qual foi a principal constatação do seminário da Federação de Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc) sobre os desafios da mudança do clima para os jornalistas e os seus sindicatos? Celso Schröder: A compreensão geral foi de que a mudança do clima é uma pauta importante e que não estamos fazendo bem a cobertura. Apesar da existência de jornalistas especializados em meio ambiente. Precisamos produzir uma ação conjunta compartilhada entre as organizações de jornalistas, sindicais e não sindicais, para produzir compreensão. É preciso tratar o tema com a complexidade que ele tem através de jornalistas especializados, sem cair na armadilha de simplificações desnecessárias, mas também introduzir o meio ambiente no jornalismo como um todo para que este tema possa ir além de um público especializado e já convencido e mobilizado, e chegar ao outro público, o que tem uma sintonia com o meio ambiente, mas que está imerso no senso comum. Inclusive neste senso comum que é disputado em declarações equivocadas do tipo “como está esquentando a terra se tem neve onde não costuma nevar?”. Neste público está o agricultor preocupado com a sua produção, que se não compreender o impacto da mudança do clima no seu dia-a-dia não vai se preocupar com o tema, ou o empresário que ainda acha que isto é uma bobagem e que, portanto, mudanças no modo de produzir são desnecessárias. Temos que trabalhar para que todos os jornalistas consigam tratar destas agendas transversais. Continuar lendo A crise ambiental e a crise do jornalismo
Catástrofe no Japão gera enxurrada de especulações sobre a utilização de novas armas geofísicas e as mudanças climáticas
Por Roberto Villar Belmonte
Texto publicado no jornal Extra Classe 153 (maio/11)
O grande terremoto seguido de tsunami que atingiu a costa nordeste do Japão no dia 11 de março, deixando 26 mil mortos e desaparecidos, foi mesmo um desastre natural? As dúvidas sobre a causa da brutal catástrofe espalharam-se pelo mundo junto com as imagens das ondas gigantescas engolindo cidades inteiras, dos tremores secundários transmitidos ao vivo, das buscas por sobreviventes e das tentativas frustradas de conter o vazamento radioativo na usina de Fukushima, até hoje fora de controle. Continuar lendo Em busca de uma explicação